Pouca flor chega ao azul puro, e a química explica o motivo: nenhuma espécie produz pigmento azul isolado. O que aparece como azul nasce de uma antocianina alterada pelo pH da célula ou por um metal dissolvido no solo. Na prática, catálogo e floricultura costumam chamar de 'azul' tons que são, de fato, lilás ou violeta. Agapanto, hortênsia, amor-perfeito e a pétala da estrelítzia chegam mais perto do azul real neste guia — e, por isso, valem caro em jardim e em arranjo.
A hortênsia muda de cor com o solo, e vale guardar esse dado. pH entre 5,0 e 5,5, com alumínio disponível, produz flor azul. pH neutro ou alcalino produz flor rosada. Use adubo pobre em fósforo: o fósforo em excesso trava a absorção do alumínio. A variedade branca fica fora dessa regra, sempre branca. Em Gramado e em Campos do Jordão, onde o solo tende a ser ácido, a hortênsia azul virou símbolo da paisagem — mérito do solo da região, não de um truque de cultivo.
No projeto do jardim, o azul funciona como respiro visual: combina com branco e amarelo, contrasta com laranja e vermelho, e dá impressão de profundidade. Plante agapanto em bordadura de sol — espécie resistente, de manutenção simples, com bom desempenho em quase todo o Brasil. Use amor-perfeito para um azul de inverno em vaso e canteiro nas regiões frias. E guarde a estrelítzia para o arranjo: a pétala azul, ao lado do laranja, dura semanas depois do corte.